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Index
generator
Èrika Frankel e Carlo Sansolo
Percebemos
o espaço urbano, como lugar de confronto, de ameaça,
abandono, luta pela sobrevivência e entretenimento, como um
lugar de transito e passagem dentro de uma sociedade.
Através dos trabalhos apresentados temos uma mostra significativa
para começarmos a refletir sobre todas essas ambigüidades
presentes nas grandes cidades, e sobre a influencia massiva da mídia,
que a todo momento cria novos ídolos e novos objetos de alegria,
como uma constante enxurrada de alienação e euforia
coletiva, do outro lado todo o desenvolvimento econômico,
cientifico e tecnológico convivendo com demandas sociais
negociações entre trabalhador e empresa, assim como
desemprego correndo lado a lado com confrontos religiosos, abuso
de sistemas de segurança, disputas territoriais, como zonas
complexas de entendimento, como se a hiper comunicação
dos meios informativos convivesse com a grande alienação
das massas (escapismo), falar então de beleza e poética
em meio a essa realidades paralelas, poderia parecer ingênuo,
mas a necessidade de continuar procurando novas referencias em imagem
e percepção poética se transmuta a cada década,
seria também uma necessidade e um desafio, como uma continua
expansão da percepção e tentativa do desenvolvimento
do que entendemos como consciência.
Mesmo em meio a essa constante transição de identidade
em que nos encontramos, e a constante disputa entre instituição
e individuo, onde o individuo se vê impotente na maioria das
vezes, condenado a desenvolver a doçura como forma de adaptação
e sobrevivência.
A arte não pertenceria ao mundo linear/sistemático
como coloca Artaud, mas a urgência e necessidade de um dialogo
do ser no mundo, numa busca constante de confronto e reavaliação,
uma forma de alimento, um espaço sempre aberto mesmo que
utópico, mas ainda assim um espaço de lutas de conceitos
e mudanças de percepção, um território
nômade.
Parte
da curadoria é dedicada não exatamente ao espaço
urbano, mas sim sobre a instrumentação deste, vídeos
feitos com procedimentos que constroem a nossa sociedade da informação,
informação processada e re-processada. Informação
em diversos layers. Os vídeos falam dessa sociedade com os
mesmos tipos de recurso que estas usam, se apropriando do próprio
“modus operandi” desta. Outro fator importante é
a analise da mídia de massa, que é outro elemento
que une a sociedade e lhe preenche de valores super estruturais,
é o autentico substituo da religião, nutrindo a sociedade
com valores desejáveis, para a continuidade da mesma. O vídeo
arte entra aí como uma espécie de antídoto
à leitura esperada e pacificadora da tv e outros meios de
informação. Assim essa coleção tenta
não só falar sobre o “ponto crítico”
mas também usar parte das suas estratégias e elementos
estéticos. Re-significar suas fantasias e sua produção
simbólica.
O nome “index generator” 2, tirado de um vídeo
dessa curadoria, para nós implica justamente nessa capacidade
que o capitalismo contemporâneo tem de gerar discursos ininterruptamente,
de forma que nos parece quase aleatória e massiva.
Masayuki Kawai - About a Theological Situation in the Society
of Spectacle - 2001 - 6’30” – Japão
Talentos da TV e Mikados são referidas ubiquamente não
como símbolos mas como alegorias. A imagem citada pela Sociedade
do Espetáculo nos alucina a sua própria ruína,
pelo uso deliberado de imagem de mass-media.
Marcello
Mercado “Das Kapital version.07 .”17 minutos –2003
– Argentina
Comandar linhas, programar lingo, coordenar instruções
e comandos de edição de vídeo criam a ilusão
fatal de mestria sobre a tela e isso é database embutida.
O expectador/mestre em sintonia com o fluxo caótico de capital
e imagens nunca é confrontado com o impacto deste fluxo virtual
no real. Não é surpresa que um trabalho extraordinário
como Das Kapital versão.07 se origine de um artista que viveu
maior parte de sua vida na Argentina, onde os resultados de amor
duro e correção de mercado de pós-especulação
está claro a ser visto onde os vetores caóticos globais,
algoritmos e variáveis produzem um resultado em carne e sangue.
Joacélio
Batista & Pablo Lobato - Artificios do olhar/2005/ 20´
Zulus, Brancos e Indianos formam a rede de personagens deste vídeo.
Como um espelho, o monitor de cristal líquido de uma câmera
é oferecido a diversos moradores de Durban, terceira maior
cidade da África do Sul.
Ao se olharem através do monitor, vemos a entrega do corpo
diante de seu reflexo. Somos convidados a uma visita pela intimidade
do sujeito que olha.
Sagi
Groner - Top Light and The Haunted Man - 2004 -12 :00 Israel
Neste vídeo de tela dividida Groner explora relações
entre viver em um estado de hipnose, Big Brother e as indústrias
e ciências de percepção. Nesta colagem sugestiva,
usando cenas de arquivo do pré e pós 2GM ao lado de
fotos de satélite, imagens de câmeras de segurança
e web cams, a história do The Haunted Man (Homem Assombrado)
se revela. Claire e Don, os personagens principais, questionam juntamente
com o espectador sobre estar acordado e atento, ao passo que eles
se deixam levar para dentro e para fora do estado de hipnose em
sua busca pela Top Light (Luz de Cima).
Andrés
Senra - cómo explicar a un hijo artista el significado de
lo sublime en jardín de un chalet adosado". . 6 minutos.
Espanha. 2003
Uma reflexão sobre a vida nos espaço de circulação
das grandes cidades, áreas urbanas de arquitetura periféricas
onde a pseudo burguesia faz suas atividades cotidianas, alienados
da realidade social mais próxima; sou o produto da distorção,
nasci nestes espaços, o ultimo onde vivi com minha mãe
se chama ‘setor 3’, creio que o nome diz tudo.
Erika
Fraenkel -A copia e os desajeitados – 6:00 – 2006 –
Brasil
Um vídeo que expia a circunstancia de abuso da sociedade
, onde a sedução constante nos torna ainda mais impotentes,
uma analise sobre a impossibilidade do homem hoje se sentir em casa
, relato sobre a ansiedade do mundo atual.
Mylicon/En
- Chrom, 4\'23\" -2004
Tito Lucrezio Caro, De rerum natura, livro IV
Chrom é um raid imaginário de Mylicon/En em um teatro
operacional: um vídeo/corpo anestesiante, uma perda temporária
de consciência, um estado no qual tudo vai fluindo e as fronteiras
entre o corpo e o espaço ficam obscurecidas.
Steven
Ball - metalogue - 26:37 – 2003
Metalogue é um diario de viagem, que usa técnicas
formais para explorar um espaço temporal, ressonância
e fenômeno. *
Interspersed with interludes that combine digital excess, abstracted
text and voice reciting information relating to the digital video
material, and collages of public announcements.
Carlo
Sansolo - Ozuland 001 – 9:50 min - 2006
ozuland001 é uma compilação audio/video/texto
que analisa os nossos velhos suspeitos. controle - mass media –
capitalismo pós industrial – falta de consciência
e outros sintomas habituais.
Sagi
Groner – Misshapen -2006 -19:35 min
um piloto, um dj, um mestre em kung fu e desenvolvimento em software,
se encontram e comem maçãs, cortesia da Lockheed Martin.
Composto inteiramente de imagens encontradas na internet, Misshapen
(dês-acontecimento) é uma meditação sobre
as maquinas e a filosofia da precisão.
Larissa
Sansour – Happy days – Palestina/ Dinamarca –
3:00 - 2006
Happy Days é um vídeo que expõe o dia a dia
da vida Palestina sob a ocupação israelense.
Neste vídeo, uma colagem de fotos e imagens feitos nos territórios
ocupados é acompanhado pela musica tema do seriado dos anos
70 “Happy Days”. O video prThe piece provides imagery
different from that of news
footage. The contrasting music underlines the general public’s
apathy when
confronted with world conflict. The idea is to subjugate international
politics to a format normally associated with entertainment and
thereby call
attention to the blurry boundary between the two.
Pascal
Liévre e Benny Nemerofsky Ramsay - Patriotic Act - 2005 -
França e Canada.
Os autores cantam as medidas de contra espionagem do governo de
George W. Bush ao ritmo de Celine Dion.
Andrés
Senra – lluvia dorada 2003 3min Espanha
Certos elementos da representação da guerra na história
da arte são comuns em diferentes momentos e contextos históricos,
a mass mídia vinculados ao poder político desempenham
também o papel que os artistas historicamente assumiram ao
representar as vitórias de seus monarcas. O imperador hierático,
o poder militar, e o poder econômico junto com a presa capturada
e submetida a uma médica no seu corpo.
Kentaro
Taki exchangeable cities 5 min 2001 – Japão
O espaço urbano de qualidade e homogeneizado. Para representar
a cidade falsa que é formada por vários elementos
do mundo. A espetacularização da cidade faz algum
sentido ao sobrevoar as imagens.Kentaro Taki simula nossa situação
de estarmos rodeados pela mídia, pegando imagens de tv e
as exibindo ao memo tempo. Em “Midia Cage”, ele abusa
de imagens de programas de tv da Indonésia com imagens de
turismo tropical para mostrar que nunca se escapa da globalização
do mass media , que sugere uma forma de criticar a mídia
de dentro dessa gaiola. Em “pessoas instáveis”
ele expõe figuras da tv em frames repetidos, e revela que
estes não tem significado para si próprios, apenas
para a midia, que é quem impõe o sentido das coisas.
Grecu
Mihai – Lenin/Lennon -4:40 – romenia/frança-
2006
Colaboração entre Pascal Lievre, Mihai Grecu e Emmanuel
Delpy, este vídeo é um trabalho em camadas simbólicas:
paredes tatuadas, epiderme como superfície, corpo feminino
desenhado como na pele masculina. Baseado no discurso de Lênin
e na canção de Lennon “imagine”, é
um poema visual sobre a ambigüidade artística e falso
humanismo.
Akiko
Nakamura Kyoko 1 3:50 -2003 - Japão
KYOKO 1 is a urban portrait of a figure in time-based, digital way.
In retrospect, it exudes a very subtle aversive feeling.
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circuitos
em vídeo
Curadoria: Goto. Realização: epa!
no Reverberações, em São Paulo-SP, 02/11/2006.
no Ritmos da Urgência, em Londrina-PR, 20/11/2006.
A
mostra circuitos em vídeo (1) agrega registros de ações
de importantes circuitos artísticos autodependentes, convergindo
para uma reflexão e visibilidade sobre o recente e intenso
fenômeno cultural compreendido habitualmente como curadorias
e programações independentes, espaços alternativos,
coletivos de artistas, intervenções urbanas, arte
de ativismo cultural e propostas envolvendo participação
criativa.
Ainda
que o ideário dessas proposições tenha antecedentes
que remontam às vanguardas históricas do século
XX, a exemplo do Dadaísmo, ou mesmo ao experimentalismo mais
radical empreendido a partir dos anos 60, como o Grupo Fluxus, é
fato que, dentro do sistema das artes, a partir de meados dos anos
90, iniciou-se uma retomada de interlocução da arte
com a sociedade num processo mais direto (discurso e prática),
conduzido por artistas mesmo, diálogo esse menos exclusivamente
mediado por parâmetros institucionais. O acontecimento é
perceptível mundialmente, com muitas e distintas ramificações
também na América Latina e Brasil.
A circuitos
em vídeo insere-se nesse ambiente relacional e considera
a si mesmo como um gesto de afirmação da heterogeneidade,
resistência cultural e postura crítica (2). A programação
exibe produções de arte contemporânea, em sua
maioria de origem brasileira e derivada das artes visuais.
O termo
autodependente é inspirado na fala do cineasta Werner Herzog,
que o utiliza para reconceituar a expressão cinema independente,
considerada por ele como inapropriada (3). Isto porque o processo
de produção artística em questão é
também um produto interdependente de diversos agentes produtivos
e mecanismos econômicos. Sendo assim, ele não é
independente, como se não dependesse de nada. O diferencial
da produção autodependente reside, pois, no fato dela
ser um trabalho cuja realização vincula-se primordialmente
à autonomia de seu próprio propositor, inclusive na
articulação e gestão de parcerias.
Esse
conceito serve também para outras áreas da produção
artística e evidencia a questão da autogestão
cultural, a capacidade de grupos de artistas estabelecerem suas
próprias redes de diálogo e trocas culturais com a
comunidade, incluindo aí alternativas de mecanismos para
sua sustentabilidade econômica. A importância maior
dessa autonomia afirma-se no desvencilhamento de parâmetros
ditados pelo mercado global e Estado, na perspectiva de proposição
de heterogeneidades culturais e na possibilidade de manifestação
de conteúdos críticos mais radicais.
A circuitos
em vídeo é dedicada ao visionário artista Bruno
Lechowski, um dos precursores dos circuitos artísticos autogeridos
no Brasil através de seu Cineton, uma tenda para exposições,
desmontável e nômade. Com ela o artista viajou pela
Europa em 1925, e veio ao Brasil, em 1926. O artista teve passagens
por Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, onde passou a morar,
até sua morte, tendo importante atuação na
cena local (4).
Atualmente
o acervo da coleção constitui-se de mais de 80 filmes
de 37 circuitos, com trabalhos de mais de 170 artistas. A mostra
está composta por 11 programas, com duração
total de 16h45min: MÍDIAS TÁTICAS; LUGAR; CORPO; BASE
COMUNITÁRIA; RICARDO BASBAUM & NBP; MAURÍCIO DIAS
E WALTER RIEDWEG; ARQUIVO BRUSCKY; TORREÃO; CORPOS INFORMÁTICOS;
CEIA – CENTRO DE EXPERIMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO
DE ARTE: MIP – MANIFESTAÇÃO INTERNACIONAL DA
PERFORMANCE; COMUNIDADE ATIVISMO E A CENA DOWNTOWN – UM DOCUMENTÁRIO
INDEPENDENTE SOBRE A CENA EXPERIMENTAL DE NOVA YORK.
Entre
artistas e circuitos, dela participam: Ronald Duarte (RJ); Alexandre
Volgler (RJ); Grupo Rradial (RJ); Luís Andrade (RJ); Cuquinha
(PE); Atrocidades Maravilhosas (RJ); InterluxArteLivre (PR); PhP
(RJ); noninoninono (PE); Super Loja Show (RJ); A Revolução
Não Será Televisionada (SP); Laranjas (RS); Rosana
Ricalde e Felipe Barbosa (RJ); Grupo Urucum (AP); Goto (PR); Fundação
do Museu do Poste (PR); Laura Miranda e Denise Bandeira (PR); Rubens
Mano (SP); Giordani Maia (RJ); spmb (Eduardo Aquino e Karen Shanski
- Brasil/Canadá); Grupo Entorno (DF); Ducha (RJ); Ricardo
Basbaum (RJ); Acervo Casa Hoffmann (PR); Cristiane Bouger (PR);
Grupo EmpreZa (GO); Rés do Chão (RJ); Marssares (RJ);
Cabelo e Jarbas Lopes / Dado Amaral e Beto Valente (RJ); Wagner
Malta Tavares (SP); Arte de Portas Abertas (RJ); Revelando olhares
dos moradores da Ilha do Mel (PR); Martha Niklaus (RJ); Maurício
Dias e Walter Riedweg / Fabiana Werneck e Marco Del Fiol / Videobrasil
(Brasil/Suíça); Arquivo Bruscky (PE); Torreão
(RS); GPCI – Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos
(DF); CEIA – Centro de Experimentação e Informação
de Arte (MG).
A circuitos
em vídeo principiou como uma atividade de pesquisa e curadoria
sobre a produção contemporânea em vídeo
associada à autogestão em circuitos artísticos,
focando trabalhos que pudessem traduzir o ideário e a prática
de algumas dessas iniciativas. Mais do que unicamente registros,
fato é que os próprios vídeos, além
de complemento das obras ou das proposições, são
também eles mesmos obras de arte, vídeo experimental.
Isso é percebido através das diferentes singularidades
de linguagem usadas na lida com o registro videográfico,
desde a estratégia de filmagem empregada e subseqüente
edição, até o uso de recursos textuais, sonoros
ou visuais específicos sobre esse material. Em alguns casos
até, o vídeo é, desde o início, a obra
e o circuito, a exemplo dos trabalhos focados numa metacrítica
à mídia televisiva.
Da
primeira edição da mostra às circulações
subseqüentes ela também tem sido espaço para
a estréia de trabalhos, fato que agrega valor cultural à
proposta inicial e adensa diversidade ao repertório curatorial.
11 títulos foram lançados na própria mostra
circuitos em vídeo, tendo sua estréia e primeira exibição
pública: Ação comum, de Rubens Mano; /aquilá/,
do spmb (Eduardo Aquino e Karen Shanski); workshop com Willi Dorner,
do acervo da Casa Hoffmann; Infração, de Marssares;
Pipeiros dos Prazeres, de Goto; Fundação do Museu
do Poste, de Octávio Camargo e outra coisa; Dia do Nada –
2005, Contorno, Almoço na Relva, Outros 500 e Desde, de Rubens
Pileggi em parceria com outros artistas. A circuitos também
estreou a coletânea com 14 vídeos do GPCI – Grupo
de Pesquisa Corpos Informáticos, de Brasília, compilação
essa abrangendo 13 anos de produção de um dos pioneiros
grupos de investigação da arte tecnológica
no Brasil. Além disso, nela também ocorreu a primeira
exibição no Brasil de Sensuality in (and) América,
de Cristiane Bouger.
A circuitos
no Reverberações é a 6ª edição
da mostra, a qual estreou em Curitiba, em maio de 2005, no ACT;
e circulou por Londrina, em outubro/2005 (numa parceria com a Secretaria
de Estado da Cultura do Paraná e Casa de Cultura da UEL);
Rio de Janeiro, novembro/2005 (no Instituto de Artes da UERJ, dentro
do projeto Ciclo de Vídeo-Arte – I Jornada de pensamentos
sobre arte em vídeo do IART/UERJ); Maceió, dezembro/2005
(dentro da programação da 2ª edição
do projeto Rede Nacional de Artes Visuais – FUNARTE, em parceria
com a Secretaria Executiva de Cultura de Alagoas); Antonina-PR,
julho/2006 (dentro da programação da 3ª edição
do projeto Rede Nacional de Artes Visuais – FUNARTE, em parceria
com o 16º Festival de Inverno da UFPR).
O material
selecionado para a mostra é derivado de contatos e participação
que empreendo com artistas desses circuitos há 6 anos, fruto
também de afinidade artística, “ideológica”
e, complementarmente, de pesquisa desenvolvida desde 2001 sobre
circuitos artísticos autodependentes. O tema ainda convergiu
para a dissertação de mestrado em Linguagens Visuais
na EBA-UFRJ, intitulada Remix corpobras, defendida em 2004. A pesquisa
e produção da mostra é fruto da epa! –
expansão pública do artista, organismo artístico
que gerencio.
A seleção
e conversão de diversas mídias de vídeo para
o formato digital, a partir do material enviado pelos artistas,
e a subseqüente compilação dos programas; a publicação
do informativo OBS: (o jornal da mostra circuitos em vídeo);
e o encontro de coletivos de artistas em telepresença no
Em carne & net – território online (conectando
6 circuitos artísticos de Curitiba com o spmb - Brasil/Canadá);
enfim, todo o primeiro e fundamental trabalho de produção
e realização da mostra não contou com nenhum
apoio de instituições culturais tradicionais, apesar
das tentativas de interlocução. A realização
só foi viável com o apoio de diversos agentes independentes,
os quais colaboraram com serviços, cessão de equipamentos
e investimento econômico. Isso sem contar com a generosidade
de todos, também dos artistas participantes, os quais enviaram
seus materiais pelo correio, inclusive originais, e embarcaram no
ideário da proposta. Desta forma, a circuitos em vídeo
foi também gerada no melhor e clássico processo colaborativo,
no agenciamento de uma rede de apoiadores “independentes”:
epa!, ACT / ciclomultiárea, Adriana Alegria Designer Gráfico,
Academia Internacional de Cinema de Curitiba, Robert Amorim, FAS,
Rede Esperança, Café Mafalda, Restaurante Dom Max,
James bar, Livrarias Curitiba, Diamante Transportes, Nena Inoue,
Ieda Godoy, Ivan Vitali e Paulo Feitosa. As circulações
posteriores da mostra são também derivadas de articulações
autodependentes, desta feita, quase todas contando com importantes
apoios institucionais.
OBS:
SOBRE VÍDEO EXPERIMENTAL E CIRCUITOS ARTÍSTICOS
São passados mais de 45 anos desde quando os “artistas
manifestaram interesse pela tecnologia da TV enquanto recurso de
produção de arte” (Walter Zanini). Vêm
daí os primeiros experimentalismos com essa mídia
realizados por Nam June PaiK e Wolf Vostel. E a partir de 65 o próprio
Paink tornou-se um dos “primeiros clientes de um recém
lançado equipamento portátil de vídeo....”
(Walter Zanini). No Brasil a prática experimental dessa linguagem
artística já tem mais de 30 anos, considerando como
marco dessa trajetória o vídeo M 3X3, de 1973, da
coreógrafa Analívia Cordeiro (Arlindo Machado). “Toda
a primeira geração brasileira de criadores de vídeo
era constituída de nomes em geral já consagrados no
universo das artes plásticas ou em processo de consagração,
como foram os casos de Antônio Dias, Anna Bella Geiger, José
Roberto Aguilar, Ivens Machado, Letícia Parente, Sônia
Andrade, Regina Silveira, Júlio Plaza, Paulo Herkenhoff,
Regina Vater, Fernando Cocchiarale, Mary Dritschel, Ângelo
de Aquino, Miriam Danowski, Paulo Bruscky e tantos outros”
(Arlindo Machado).
Segundo o próprio Arlindo, a partir dessa geração
de pioneiros, seguiram-se outras, a do vídeo independente,
nos anos 80, do vídeo de criação, nos 90...
Importantes reflexões foram organizadas sobre essas produções
em mostras e/ou textos organizados por Walter Zanini (“Vídeo-arte:
uma poética aberta”); Arlindo Machado (“A arte
do vídeo no Brasil”, “Made in Brasil - Três
Décadas do vídeo brasileiro”); Paula Terra e
Glória Ferreira (“Situações: arte brasileira
anos 70”); Glória Ferreira e Ligia Canongia (“ArteCinema”),
Cristina Freire (“Arte conceitual e conceitualismos –
anos 70 no acervo do MAC-USP”), entre outras iniciativas,
como os festivais de vídeo, a exemplo do Videobrasil, e uma
nova leva de mostras de filmes “independentes”, etc.
Uma história e um presente em desdobramento... Dentro do
amplo manancial de possibilidades poéticas existente na contemporaneidade,
a circuitos em vídeo centra-se anteriormente, como já
dito, num conceito de circuito artístico, a partir do qual
o experimentalismo em vídeo é conseqüência,
complemento, registro criativo. O vídeo como ferramenta sobre
outro gesto: a intervenção urbana, o coletivo de artistas,
as propostas de participação criativa, a autogestão
cultural em arte. Isso tem a ver com os readymades de Duchamp; com
os dada (mais especialmente ainda com a verve política dos
dadaístas de Berlim); com o Cineton, de Lechowski; com o
Grupo Fluxus (talvez o FluxFilm Anthology, organizado por George
Maciunas, seja um dos antecedentes mais aproximados ao ideário
da mostra circuitos em vídeo, ainda que esta seja basicamente
o resultado de uma curadoria sobre obras já realizadas, enquanto
o filme de Maciunas é uma proposta de participação
criativa, um filme que se constitui na compilação
de trechos produzidos por diferentes artistas e feitos especialmente
para o projeto). Tem a ver com os happenings de Allan Kaprow; com
as inserções em circuitos ideológicos, de Cildo
Meireles; com as trocas culturais propostas por Paulo Bruscky e
seu ARQUIVO BRUSCKY. Tem a ver com as idéias sobre política
heterogênea de Alain Badiou, biopolítica produtiva
de Toni Negri, micropolítica do afeto de Vera Silvia Magalhães...
São circuitos heterogêneos em vídeo.
Goto,
27/10/2006.
NOTAS
(1) Este texto é derivado da apresentação
da mostra circuitos em vídeo publicada no jornal OBS:, Curitiba:
epa!, 2005.
(2) Uma introdução mais aprofundada ao assunto dos
circuitos artísticos e da autogestão cultural nas
artes visuais pode ser encontrada no texto sentidos (e circuitos)
políticos da arte, também de minha autoria, publicado
nos sites do coro (http://www.corocoletivo.org.br ) e do Rizoma
(http://www.rizoma.net/interna.php?id=250&secao=artefato ) e
também no primeiro número da revista Primeira Pessoa,
editada em João pessoa. O material em breve também
estará disponível em inglês na publicação
do projeto Surface Tension (EUA).
(3) In: CAMARGO, Paulo, BRANDÃO, Carlos Augusto. Coração
selvagem. Matéria e entrevista com Werner Herzog abordando
seu recém-lançado filme Grizzly Man. Curitiba: Caderno
G do Jornal Gazeta do Povo. 31 de janeiro de 2005.
(4) Importante pesquisa sobre a obra de Lechowski pode ser acessada
In: VIANNA BAPTISTA, Christine. Bruno Lechowski, a arte como missão.
Curitiba: Museu de Arte do Paraná, 1991.
PROGRAMAÇÃO
circuitos em vídeo em São Paulo e Londrina,
nos projetos Reverberações e Ritmos da Urgência.
(total: aprox. 8h)
-
Alexandre Vogler
(RJ) – Olho grande (2003, 4’ 17”)
- Super
Loja Show (RJ) – (2004, 18’ 55”) –
Obras: Alexandre Vogler, Arjan Martins, Alexandre Przewodovizky,
Adriano Melhem, Cláudio Pedro, Ed. Galaxi, Fernando de la
Roque, Geraldo Marcolini, Guga Ferraz, Luis Andrade, Marco Rafael,
Ronald Duarte, Rosivelt Pinheiro, Romano. A apresentação
é de Lui Parente e Aurora Lázaro.
-
A Revolução Não Será Televisionada
(SP) – Liberte-se (2004, 21’ 41”)
-
InterluxArteLivre (PR) (8’)
-
Grupo Urucum (AP) – Desculpem o transtorno estamos
em Obras (2002, 5’ 22”); Os Catadores
de orvalho esperando a felicidade chegar (2002, 5’ 04”)
-
Rubens Mano (SP) – Ação comum (2003,
12’ 09”)
-
spmb (Eduardo Aquino e Karen Shanski) (Brasil-Canadá)
– /aquilá / (2005, 5’ 30”)
-
Ronald Duarte (RJ) – Fogo Cruzado (2002, 4’
38”)
-
Luis Andrade (RJ) – Palíndromos (2001, 24`17``)
- Acervo Casa Hoffmann (PR) – Workshop com
Will Dorner (2005, 8’)
-
Cristiane Bouger (PR) – Sensuality in (and) America
(2004, 14’ 45”); Red and a hundred 40/Vermelho 140 (2003,
4’ 17”)
-
Rubens Pillegi (PR) – Dia do Nada 2005 (2005, 6’
50’’); Almoço na Relva (2003, 5’ 48’’);
Contorno (2003, 7’ 52’’)
-
Wagner Malta Tavares (SP) – PARACILDO – para
entortar com o corpo (7’ 10’’)
-
Ricardo Basbaum (RJ) – Um registro de constatação
de arte no projeto NBP de Ricardo Basbaum (1994, 13’ 40”);
E: anotações sobre contatos com: re-projetando + sistema-cinema
+ superpronome (2003, 22’ 35”)
-
Centro de Experimentação e Informação
de Arte: Manifestação Internacional da Performance
(MG) – (2003, 50’) – Workshop: Moniek Toebosch.
Semana de Apresentações (artistas convidados): Wilson
Avellar (As coisas tais quais elas são); Márcia X;
Otobong Nikanga (Shif and wait); Renato Cohen (palestra); Yiftah
Peled (Protection); Monali MeherI (Practising Nostalgia); Laura
Lima (O passeador); Maria Angélica Melendi, Felipe Chaimovich,
Marcos Hill, Moniek Toebosch (mesa-redonda); Monali Meher (Old Fashioned);
Marta Neves (Não-idéia: dançamos sem música
enquanto nada acontece); Graziela Kunsch (Preparando aula); Teresinha
Soares (palestra); Marco Paulo Rolla (O Banquete); Gregg Smith (Notorius);
Arahmaiani (Violence No More); Moniek Toebosch (palestra); Jill
Magid (Kafka House); Paul Perry (palestra); Reza Afisina (Price).
Espaço aberto: Ana Gastelois (Engrenagem); Cristina Ribas
(Terreno baldio); Cinthia Marcelle (Na batalha de Maria); Fernando
Ribeiro; Geraldo Loyola (Fura-Mundo); Grupo Gia (Projeto Caramujo);
Grupo Tramóia (Behavior); Izabela Pucú (Genéricos);
Paulo Nenflídio (Bicicleta Maracatu); Paola Rettore (Tomorrow);
Wagner Rossi (Marias); Solange Pessoa (Desterros)
-
Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos (DF) –
(1h05’’) – Rodoviária (1996, 17’);
Lavapés (1998, 7’); Scanner (2005, 2’ 57’’);
Ctrl C _ ctrl C I (2005, 7’); Ctrl C _ ctrl C II (2005, 7’);
Sintagmas (2005, 7’); .cílios (2005, 7’); Estar
(2006, 10’).
-
Arquivo Bruscky (PE) – (1h10’) – Registros
( 3’ 55’’); Olinda (2’ 17’’);
Viagem (4’ 08’’); Paulo Bruscky, Bruxo (6’
32’’); Refletcion (1982, 5’ 42’’);
Composições no fio - Partituras Mutantes (3’
04’’); Via Crucis (7’ 41’’); Poema
(2’ 02’’); LMNUZX, Fogo! (1980, 0’ 12’’);
Xeroperformance (1980, 0’ 41’’); Partituras Velozes
(1982, 2’ 46’’); Estética do Camelô
(1982, 5’ 51’’); Arte/Pare (1973, 3’ 09’’);
Artexpocorponte (1973, 2’ 21’’); Poesia Viva (14/03/1977,
dia nacional da poesia, 5’ 42’’); Arte Cemiterial
e ProposiAções (1971, 4’ 13’’);
Graffiti (1982, 3’ 24’’); Exercícios (Exposição)
(1980, 5’ 38’’).
-
Torreão (RS) (1h43’). Intervenções:
Elida Tessler (Golpe de Asa, jun/jul/93); Dudi Maia Rosa (ago/set/93);
Gaudêncio Fidelis (set/out/93); Elaine Tedesco (Passagem,
jan/93); Marco Giannoti (mar/abril/1994); Téti Waldraff (Finitus
ou invenção da paisagem por um instante, abr/maio/94);
Kátia Prates (Espírito 7 - Escultura de fumaça,
jun/jul/94); Karin Lambrecht (A torre e a cruz, set/94); Jailton
Moreira (Venâncio Boogie-Woogie, out/nov/94); Hélio
Fervenza (Secreções nº 2, mar/abril/95); Ângela
Villar (Inferno, mai/jun/95); Gisela Waetge (Jun/jul/95); Marilice
Corona (Paisagem monocular, set/out/95); Maria José do Santos
(Torrear, out/nov/95); Marta Martins (nov/dez/95); Herbert Schein-Bender
(Sobre arte ou coisas do gênero, mar/abr/96); Eliane Chiron
(A cintura de Afrodite ou o despertar da noiva, maio/96); Teresa
Poester (Mira-Rima, jun/jul/96); Mario Soro (Comida de cuervos,
jul/ago/96); Fernando Lindote (Lambidas, ago/set/96); Giancarlo
Lorenci (Virtudes da ausência, out/nov 96); Iolanda Gollo
Mazzotti (Mai/jun/97); Mauro Fuke (jun/jul/97); Jorg Herold (Germany
Sapata Sul, set/97); Jean Lancri (Atire D'Aile douze maniéres
de donner de l'ei à une tour, set/97); Lia Menno Barreto
(Kit afetivo, out/nov/97 ); Edith Derdyk (Rasuras, mar/abr/98);
Daniel Acosta (Quem duvida do senso comum, mai/98); Tula Anagnostopoulos
(Small size, jun/lul/98); Nazareno (Lugar da memória, jul/ago/98);
Juracy Rosa (A neve, ago/set/98); Geraldo Orthof (Sobretudo transporte.
Destino: Torreão, jan/mar/99); Maria Lúcia Cattani
(Por volta do branco, mar/abr/99); Arthur Barrio (Experiência
nº 16... ou...situação relacional (intemporal),
mai/jun/99); Nick Rands (Esferas terrestres, jun/jul/99); Vera Chaves
Barcellos (Os nadadores, ago/set/99); Jochem Dietrich (Torre dos
relógios, out/99); Maria Helena Bernardes (Interferência,
nov/dez/99); Jorge Menna Barreto (Groupe-em-fusion, abr/mai/00);
Eduardo Frota (jun/jul/00); Patrício Farias (Para subir al
cielo, jul/ago 00); Glaucis de Morais (Concreto, ago/set 00); Sofi
Hèmon (Como proliferar a idéia original ao mesmo tempo
que a reduzimos, set/out/00); Nury Gonzalez (Cuerpo hay ahí,
out/nov/00); Mima Lunardi (Aurora - ...desperta todas as coisas
e vê sucederem-se as gerações, abr/01); Rolf
Wicker (Rooms in residence, abr/01); Regina Silveira (Desaparência,
jun/jul/01); Paulo Gomes (A procura do quê?, ago/set/01);
André Severo (Paisagem inscrita, nov/dez/01); Waltércio
Caldas (Frases sólidas, abr/mai/02); Axel Lieber (Beef anatômico,
mai/jun/02); Mario Ramiro (Panos quentes, jun/jul/02); Raquel Stolf.
(Ruídos do branco, jul/ago/02); Carla Zaccagnini (Belvedere,
set/out/02); Paula Krause (out/nov/02); Rommulo Conceição
(Número 5, mar/abr/03); Marcos Sari (Plano, mai/jun/03);
Ricardo Basbaum (Re-projetando (porto alegre) jul/03); Bernhard
Garbert (Small, ago/03); Isaura Pena (Set/03); Carlos Montes de
Oca (La mujer del curador, out/03); Nydia Negromonte (Pulmo, mar/abr/04);
Eva-Maria Wilde (mai/jun/04);
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Maurício Dias e Walter Riedweg / Fabiana Werneck e Marco
Del Fiol / Videobrasil (Brasil-Suíca) - Mau Wal
– Encontros Traduzidos (2002, 52’ 34”)
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